terça-feira, 22 de janeiro de 2019

A biodiversidade nos ambientes urbanos


Este trabalho está relacionado a atividade da Unidade Curricular sobre Biodiversidade, Geodiversidade e Conservação, promovida pelo Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação, realizado pela Universidade Aberta de Portugal. Este texto apresenta reflexões sobre a biodiversidade nos espaços urbanos.

A biodiversidade nos ambientes urbanos
Conceitos gerais

Segundo a ONU (1992) biodiversidade pode ser entendida como "a variabilidade entre organismos vivos de todas as origens, incluindo, inter alia (latin: entre outras coisas), os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; isto inclui diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas". Neste contexto, os espaços urbanos representam ecossistemas.
Müller e Werner (2010) definem a biodiversidade urbana como "a variedade e a riqueza dos organismos vivos e a diversidade de habitats encontrados entre os limites dos assentamentos humanos". E Farinha-Marques et. al (2011) complementam esta definição ao observarem que a biodiversidade nos espaços urbanos deve ser compreendida desde áreas rurais até os núcleos urbanos, assim como deve-se considerar os remanescentes de ecossistemas primitivos, faces rochosas, paisagens agrícolas e paisagens urbano-industriais como as áreas residenciais, industriais, parques, lagos, jardins, dentre outros espaços.

Áreas urbanas e impactos

Segundo Schneider, Friedl e Potere (2010), as áreas construídas e urbanas ocupam, de forma surpreendente, menos que 1% da superfície terrestre, mas os efeitos da urbanização são profundos: Concentram mais de 50% da população humana, mais de 60% do uso residencial de água, 80% do uso de toda madeira e cerca de 80% de emissão de gases.  (WU, 2014). No entanto, não se pode considerar a urbanização apenas como responsável por efeitos negativos. Wu (2014) observa que:  "Nos últimos 50 anos, a urbanização global acelerou não apenas seu ritmo em termos de população urbana e do ambiente construído, mas também assumiu novas formas de desenvolvimento".

Faeth, Bang e Saari (2011) também observam que as cidades não são inovadoras quanto aos riscos e condições ambientais, já que situações como ilhas de calor, emissão de gases, dentre outras situações, também estão presentes na natureza. No entanto as cidades intensificam vários fatores e riscos ambientais, o que corrobora com a observação feita por Wu (2014).

Áreas verdes em centros urbanos

Todas as estruturas existentes nas cidades, sejam espaços verdes, azuis ou cinzas, podem ser habitats e influenciam nos serviços ecossistêmicos (FARINHA-MARQUES, ET. AL, 2011).No entanto, os espaços verdes são sempre referenciados como de suma importância para a manutenção de biodiversidade e para o serviços ecossistêmicos.
Quanto a vegetação, os humanos possuem amplo controle sobre a diversidade vegetal e a manutenção das plantas nativas auxilia a manter a biodiversidade local. Mesmo a presença das plantas exóticas, que podem propiciar um aumento da quantidade de artrópodes e aves. Um aspeto relatado por  Faeth, Bang e Saari (2011) observa que nos ambientes urbanos há uma relação entre o aumento das quantidades e riquezas de plantas, mas com redução da diversidade entre os animais. E em alguns casos pode ocorrer um aumento na quantidade de indivíduos, mas não na riqueza (diversidade) entre as espécies.  Quanto as plantas estes autores relatam que são de extrema importância para a manutenção da biodiversidade. Farinha-Marques et. al (2011) também observam que a gestão do espaço verde pode influenciar a biodiversidade local.

O planeamento urbano

Gómez-Baggethun e Barton (2013) destacam a importância do planeamento urbano, já que as cidades dependem do sistema sócio-ecológico, através dos serviços ecossistêmicos. Estes autores também observam que, sob certas condições e percepções da sociedade, pode se considerar a existência de desserviços urbanos, por parte da biodiversidade. Algumas condições podem representar riscos como matas muito densas e escuras, e a possibilidade de proliferação de doenças, muitas transmitidas por espécies invasoras. No entanto, estas situações negativas podem ser refreadas, com um melhor planeamento e cuidado de áreas verdes, zonas húmidas, além de cuidados sócio-econômicos das regiões pavimentadas.

Para favorecer a interação entre pessoas e demais seres vivos, Farinha-Marques et. al (2011) sugerem o planeamento e gestão sustentável deve priorizar a construção de áreas verdes próxima aos bairros, de forma a atrair a visita das pessoas.

Quanto ao planeamento urbano sustentável, um importante aspeto observado por Niemelä (2014), para o que o planeamento urbano possa valorizar os serviços ecossistêmicos, é necessário que exista a colaboração conjunta de várias ciências, incluso as ciências sociais, além da integração entre sociedade e governos. Além de mais pesquisas interdisciplinares.

Conclusão

As cidades podem cumprir um importante papel na proteção e conservação da biodiversidade. Além de suportarem a presença de flora e fauna adaptadas às condições urbanas, também é possível, com o devido planeamento, que tornem-se meios para proteger e integrar a biodiversidade local.

Referências

FAETH, Stanley H.; BANG, Christofer; SAARI, Susanna. Urban biodiversity: patterns and mechanisms. Annals Of The New York Academy Of Sciences, [s.l.], v. 1223, n. 1, p.69-81, mar. 2011. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/j.1749-6632.2010.05925.x.

FARINHA-MARQUES, P. et al. Urban biodiversity: a review of current concepts and contributions to multidisciplinary approaches. Innovation: The European Journal of Social Science Research, [s.l.], v. 24, n. 3, p.247-271, set. 2011. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/13511610.2011.592062.

GÓMEZ-BAGGETHUN, Erik; BARTON, David N.. Classifying and valuing ecosystem services for urban planning. Ecological Economics, [s.l.], v. 86, p.235-245, fev. 2013. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.ecolecon.2012.08.019.

MÜLLER, Norbert; WERNER, Peter. Urban Biodiversity and the Case for Implementing the Convention on Biological Diversity in Towns and Cities. Urban Biodiversity And Design, [s.l.], p.1-33, 16 abr. 2010. Wiley-Blackwell. http://dx.doi.org/10.1002/9781444318654.ch1.

ONU. Convention on Biological Diversity. 1992. Disponível em: <https://www.cbd.int/convention/articles/default.shtml?a=cbd-02>. Acesso em: 21 jan. 2019.

SCHNEIDER, Annemarie; FRIEDL, Mark A.; POTERE, David. Mapping global urban areas using MODIS 500-m data: New methods and datasets based on ‘urban ecoregions’. Remote Sensing Of Environment, [s.l.], v. 114, n. 8, p.1733-1746, 16 ago. 2010. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.rse.2010.03.003.

NIEMELÄ, Jari. Ecology of urban green spaces: The way forward in answering major research questions. Landscape And Urban Planning, [s.l.], v. 125, p.298-303, maio 2014. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.landurbplan.2013.07.014.

sábado, 24 de novembro de 2018

A Geodiversidade - importância, definição e valores

Geodiversidade

Definição

Brilha (2005 p. 17) destaca que "ao contrário do termo biodiversidade, o conceito análogo relativo à diversidade geológica não tem conquistado o mesmo grau de reconhecimento junto da sociedade". Apesar desta falta de reconhecimento, é notório que sem a geodiversidade, a biodiversidade não encontra condições de subsistência (BRILHA, 2005, p. 18). Logo, nossa sobrevivência também é interdependente da geodiviersidade. Brilha (2005, p. 18, 19) relata ainda que muito de nosso desenvolvimento, histórico, cultural e tecnológico, e mesmo emocionais e estéticos, estão relacionados a geodiversidade local e Gray (2004, p. 4) destaca que o termo geodiversidade é relativamente recente, apesar de se realizar estudos sobre a geoconservação já no século XIX.

Sendo, portanto, necessária para a humanidade, é notório que a geodiversidade precisa ser contextualizada em uma definição que represente e enalteça sua importância. Brilha (2005, p. 17) define a como "conjunto de rochas, minerais e fósseis, para outros o conceito é mais alargado integrando mesmo as comunidades de seres vivos". Para a Royal Society for Nature Conservation, do Reino Unido (apud Brilha, 2005), a "geodiversidade consiste na variedade de ambientes geológicos, fenómenos e processos activos que dão origem a paisagens, rochas, minerais, fósseis, solos e outros depósitos superficiais que são o suporte para a vida na Terra".

A Geodiversidade, pode ser entendida, portanto, como um conjunto de elementos naturais geológicos como o solo e os minerais, e que são essenciais para a manutenção e desenvolvimento de toda biodiversidade, da qual a humanidade também faz parte.

Geoconservação

Na introdução de capítulo Geoconservation, da obra Concepts and Principles of Geoconservation, Sharples (2002, p. 1) lança uma pequena epígrafe que diz: A "metade esquecida" da conservação da natureza. Frase que serve de alerta para a importância de se pesquisar e proteger estes importantes elementos da natureza.
Para Sharples (2002, p. 2) "a geoconservação visa preservar a diversidade natural - ou 'geodiversidade' - de características e processos geológicos (rochosos), geomorfológicos (forma de relevo) e do solo significativos, e para manter taxas e magnitudes naturais de mudança nessas características e processos".
O autor ainda destaca que se deve reconhecer que os componentes não vivos do meio-ambiente são tão importantes quanto os componentes vivos (biodiversidade). Sendo a "geoconservação uma base essencial para a bioconservação" (SHARPLES, 2002, p. 2).
A geoconservação tem por objectivos: a manutenção da geodiversidade e a das taxas naturais de mudanças. Evista-se assim, grandes desgastes e a destruição de solos, rochas, perdas de riquezas fósseis, etc.

Valores da Geodiversidade

Sharples (2002, p. 9) sugere três classificações para os valores da geodiversidade:

• Valor intrínseco (ou  "de existência")
• Valor ecológico (ou "processo natural")
• Valores centrados no ser humano (antropocêntricos ou (geo) patrimonial)

Já Gray (2004, p. 65) relata que, a partir dos estudos de outros autores (1) que a classificação dos valores, pode seguir os seguintes grupos:

• valor intrínseco;
• valor cultural;
• valor estético;
• valor económico;
• valor funcional;
• pesquisa e valor educativo.

O citado autor desenvolve um completo estudo quanto aos valores da geodiversidade, e a partir dos grupos elencados, apresenta uma tabela com vários subgrupos e exemplos dos tipos de valores.

Resumo dos valores da Geodiversidade
Valores
Subgrupo
Exemplos no planeta
Valor intrínseco
Valor intrínseco
Natureza abiótica livre de avaliações humanas.
Valor cultural
Folclore
Calçada dos Gigantes, no Reino Unido; Torre do Diabo, EUA.
Arqueológico / Histórico
Petra, Jordan; Stonehenge, Reino Unido; ferramentas e artefatos locais.
Espiritual
Uluru, Austrália; Sítios Nativos Americanos.
Senso de lugar
Penhascos Brancos de Dover, Reino Unido; Rocha de Gibraltar.
Valor estético
Paisagens locais
Vista do mar; caminhadas no campo; edifícios vernaculares.
Geoturismo
Grand Canyon, EUA; Fiordes noruegueses;
Montanhas Rochosas Canadenses.
Actividades de lazer
Escalada em rocha; espeleologia; rafting em corredeiras;
caça fóssil.
Apreciação remota
Natureza em revistas, TV e internet.
Atividades voluntárias
Reparos na parede; construção de trilha; restaurações.
Inspiração Artística
Literatura; música e pintura.
Valor econômico
Energia
Carvão e turfa; gás de petróleo; urânio; geotérmico; hidroelétrica; marés.
Minerais industriais
Potassa; espatofloro; caulinite; sal grosso.
Minerais metálicos
Ferro; cobre; cromo; zinco; lata; ouro; platina.
Minerais de construção
Pedra; calcário; argila de tijolos; gesso; betume.
Pedras preciosas
Diamante; safira; esmeralda; ônix; ágata.
Fósseis
Fóssil e mineral.
Solo
Produção de alimentos; vinho; madeira; fibra.
Valor funcional
Plataformas
Construção e infraestrutura.
Armazenamento e reciclagem
Carbono no solo e turfa; petróleo e gás em armadilhas; ciclo hidrológico.
Saúde
Nutrientes e minerais; paisagens terapêuticas.
Enterro / Aterro
Enterro humano; aterros sanitários; construções subterrâneas;
câmaras nucleares.
Controlo da poluição
Solo e rocha como um "filtro" de água; telas de relevo.
Química da água
Água mineral; bebidas.
Funções do solo
Agricultura; viticultura; silvicultura.
Funções do Geossistema
Continuação da operação de processos fluviais, costeiros e eólicos, etc.
Valor de pesquisa e educativo
Funções do ecossistema
Biodiversidade.
Descobertas científicas
Geoprocessos de descoberta científica; geotecnologia; uso forense.
História da Terra
Evolução; história geológica da Terra; geoarqueologia.
História da pesquisa
Identificação precoce de inconformidades, atividade ígnea, etc.
Monitoramento ambiental
Núcleos de gelo; mudança do nível do mar; monitoramento da poluição.
Educação e Formação (Treinamento)
Campo de estudos; formação profissional.
Fonte: Adaptado de GRAY (2004, p. 131, 132).

Conclusão e análise

Geodiversidade possuí grande importância, tal qual a biodiversidade. Nota-se na leitura dos materiais de pesquisa que esta é determinante para o desenvolvimento de uma região. Determina a sobrevivência e adaptabilidade das espécies, influência a morada, culturas, saúde e o aprendizado humano. Não deve ser uma "parte esquecida", como citado por Sharples, mas vista como uma parte de um todo do qual, sem esta parte, nossa vida no planeta fica ameaçada.

Referências:

BRIILHA, José. Património Geológico e Geoconservação: A Conservação da Natureza na sua Vertente Geológica. Braga: Palimage Editores, 2005. 190 p.

GRAY, Murray. Geodiversity: valuing and conserving abiotic nature. Londres: John Wesley & Son, Ltd., 2004. 434 p.

SHARPLES, Chris. CONCEPTS AND PRINCIPLES OF GEOCONSERVATION. Tasmaniam: Tasmanian Parks & Wildlife Service, 2002.


(1) Vários autores tentaram delinear o valor da natureza ou a razão para a conservação da natureza, em geral (Huxley, 1947; Nature Conservancy Council, 1984; de Groot, 1992; Daily, 1997; Constanza et al., 1997; English Nature, 2002). ou conservação das ciências da terra, em particular (Nature Conservancy Council, 1990; Wilson, 1994; Kiernan, 1996; Doyle e Bennett, 1998; Page, 1998; Sharples, 2002a). Wilson (1994) e (Bennett & Doyle, 1997; Doyle & Bennett, 1998) são citados na obra "Geodiversity", de Murray Gray.

domingo, 11 de novembro de 2018

Reflexão 2 - Valores da Biodiversidade / Parte 2 sobre o valor econômico do Rio Paraíba do Sul

Reflexão 2 - Valores da Biodiversidade / Parte 2 sobre o valor econômico do Rio Paraíba do Sul

O trabalho aqui proposto está relacionado a uma atividade da Unidade Curricular sobre Biodiversidade, Geodiversidade e Conservação, promovida pelo Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação - da Universidade Aberta de Portugal. Neste trabalho, realiza-se uma reflexão sobre valores da biodiversidade, através de um artigo que dá continuidade a post anterior sobre valores da biodiversidade dependente do Rio Paraíba do Sul (disponível aqui).


Sukhdev (2010) e Sukhdev, Wittmer e Miller, pelo The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEP) (2014), destacam a importância económica/econômcia dos serviços oferecidos pela natureza. Estes serviços são essenciais para nossa sobrevivência. A relação entre a métrica económica/econômica e a biodiversidade ajuda a conhecer e a tomar decisões quanto a proteção dos ecossistemas. E, é fato, que o mundo converge, em muitas situações, para uma linguagem económica/econômica. Um fato que torna possível realizar diversas comparações e análises (Sukhdev, Wittmer e Miller, TEEP (2014). Além da proposição feita pelo TEEP, há outras idéias voltadas a integrar contabilidade e valores ambientais, como a environmental accounting, proposta por Odum (1995) e a integração holística do Relato Integrado, proposta pelo International Integrated Reporting Council (IIRC) (2012), que reconhece os capitais naturais os lado de outros cinco: financeiros, manufaturados, humanos e sociais e de relacionamentos. Tem-se a notória preocupação em buscar valorar e conhecer a biodiversidade, também em padrões contábeis e econométricos. Apesar desta preocupação, a avaliação económica da biodiversidade é, segundo Sukhdev, Wittmer e Miller TEEP (2014), muito difícil, se não contenciosa.

Quanto ao Rio Paraíba do Sul, na postagem anterior, já levantou-se aspectos/apetos quanto a sua importância para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, no qual sua bacia hidrográfica atende a 14 milhões de habitantes fixos além de outros milhões de turistas que visitam a região. E abastece ainda a produção agropecuária e indústrias. E Qual o valor do rio e de sua biodiversidade? Como apontado pelo TEEP (2014), há muita dificuldade em se estabelecer métricas. O Rio e sua biodiversidade oferecem muitos serviços, muitos dos quais tidos como invisíveis à sociedade. É certo que a proposta de valor precisa ser holística e integrar muitos factores/fatores, para os quais a proposição do Relato Intregrado (IIRC, 2012) poderá trazer algo a esta discussão. Para pautar uma única avaliação, de um único serviço do rio e sua biodiversidade para a humanidade em seu entorno, ao propormos uma análise única e simples, norteada apenas pelo consumo humano e residencial de água potável pelos 14 milhões de habitantes da região, teremos a seguinte proposição:

14 milhões de habitantes.
Consumo diário per capita de água estimada de 250 litros de água por pessoa.
Valor médio da água potável: R$ 4,00 o metro cúbico de água. Portanto chega a um valor de R$ 1,00 por dia de consumo médio por habitante.

Ao efetuarmos um cálculo, por tais valores teremos: (14.000.000 x 1,00) x 365 dias = 5.110.000.000 (cinco bilhões, cento e dez milhões de reais).

O valor de cerca de 5 bilhões, em reais, convertido para Dólar e Euro, será de:
1.369.658.850 em dólares (cotação de 10 de novembro, 2018)
1.210.198.124 em euros (cotação de 10 de novembro, 2018)

Conclusão

A biodiversidade possuí um notório valor ambiental, intrínseco em sí, mas também gera valores sociais e económicos/econômicos. Mensurar estes valores ajuda-nos a conhecer melhor a biodiversidade e entender sua imensa importância. Notório também que, o modo para se mensurar tal importância económica/econômica é difícil e pode gerar polêmicas, mas faz se necessário ser conhecido e pesquisado, como forma justa de nos levar a conhecer e entender a própria biodiversidade, da qual somos parte e muito dependemos.

Referências

INTERNATIONAL INTEGRATED REPORTING COUNCIL IIRC. Integrated Reporting: The IIRC. Disponível em: <http://www.theiirc.org/the-iirc/>. Acesso em: 29 jun. 2018.

Oddum, H. Environmental Accounting:  Emergy and environmental decision making, 1995.

Sukhdev, P., Wittmer, H., and Miller, D., ‘The Economics of Ecosystems and Biodiversity
(TEEB): Challenges and Responses’, in D. Helm and C. Hepburn (eds), Nature in the Balance: The Economics of
Biodiversity. Oxford: Oxford University Press (2014).


TEEP. The Economics of Ecosystems and Biodiversity. <www.teepweb.org>. Acesso em 04 de novembro de 2018.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Valores da Biodiversidade - Qual o valor econômico do Rio Paraíba do Sul?

Valores da Biodiversidade - Qual o valor económico do Rio Paraíba do Sul?

O trabalho aqui proposto está relacionado a uma atividade da Unidade Curricular sobre Biodiversidade, Geodiversidade e Conservação, promovida pelo Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação - da Universidade Aberta de Portugal. O intuito é propor e refletir sobre valores da biodiversidade dependente do Rio Paraíba do Sul.

O Rio Paraíba do Sul, cuja bacia hidrográfica abrange os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sendo a segunda maior bacia do leste brasileiro (HONJI, Et. Al, 2017) possuí grande importância histórica, cultural, social, ambiental e econômica para estas regiões e para o Brasil.
Foi decisivo na exploração do ouro e na expansão do território português pela América do Sul, posteriormente na produção cafeeira. E hoje sustenta cerca de 14 milhões de pessoas, além de indústrias e produção agrícola e pecuária. (ANA, 2018).
Há muito valor económico ligado ao rio Paraíba do Sul. A natureza fornece serviços fundamentais a economia da região: Alimentação, água potável, grande biodiversidade, além de muita importância histórica, em especial quanto a religiosidade e turismo.

Qual o valor do rio e de sua biodiversidade, afinal?
É possível estabelecer um valor económico a um patrimônio que nos é concedido pela natureza?

Há benefício em conhecer tal valoração?
Segundo The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEP) (2014); E Sukhdev, Wittmer e Miller (2014),  a relação entre a métrica económica e a biodiversidade ajuda a conhecer e a tomar decisões quando a proteção dos ecossistemas. E, é fato, que o mundo converge, em muitas situações, para uma linguagem económica. Um fato que torna possível realizar diversas comparações e análises.

Há estudos que apontam uma relação entre os custos para despoluição e seu consequente impacto positivo para o biodiversidade e sobrevivência humanas. Seria interessante também comparar e levantar informações sobre o impacto económico positivo que o rio pode agregar.
A título de desenvolvimento de conhecimentos no mestrado, tentarei levantar estas informações em publicações futuras. Algo uma "contabilidade do rio Paraíba do Sul", com seus impactos económicos a partir da existência, ou destruição de suas águas e biodiversidade.

Referências:

ANA, Agência Nacional de Águas, 2018. <http://www3.ana.gov.br/portal/ANA/sala-de-situacao/paraiba-do-sul/paraiba-do-sul-saiba-mais> Acesso em 04 nov. 2018.

HONJI, Renato Massaaki et al. Biodiversidade e conservação da ictiofauna ameaçada de extinção da bacia do rio Paraíba do Sul. Revista da Biologia, São Paulo, v. 2, n. 17, p.18-30, 17 fev. 2017. Disponível em: <http://www.ib.usp.br/revista/node/234>. Acesso em: 04 nov. 2018.

Sukhdev, P., Wittmer, H., and Miller, D., ‘The Economics of Ecosystems and Biodiversity
(TEEB): Challenges and Responses’, in D. Helm and C. Hepburn (eds), Nature in the Balance: The Economics of
Biodiversity. Oxford: Oxford University Press (2014).

TEEP. The Economics of Ecosystems and Biodiversity. <www.teepweb.org>. Acesso em 04 de novembro de 2018.





domingo, 28 de outubro de 2018

Reflexão 1

Reflexão 1 - Biodiversidade

O trabalho aqui proposto está relacionado a uma atividade da Unidade Curricular sobre Biodiversidade, Geodiversidade e Conservação, promovida pelo Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação - da Universidade Aberta de Portugal. 
presente texto é uma breve reflexão sobre os muitos conhecimentos adquiridos nas semanas iniciais, que compreendem a data de 11 de outubro até 28 de outubro de 2018.

Quanto ao estudo da primeira temática, sobre Biodiversidade, sua importância é destacada em muitos fatores/factores, dentre estes os números que envolvem a sua quantificação chamam-me muito a atenção, que,  segundo Wilson (1988, p. 2) representa algo entre 5 a 30 milhões de espécies de organismos vivos. Um número para se impressionar, e mais ainda quando se sabe que muitas destas espécies ainda não foram estudadas de forma adequada.
As definições sobre Biodiversidade, embora muitas, também destacam a grande variabilidade de espécies, tal como a definição do documento da ONU denominado por Convention on Biological Diversity (1992) que define como "a variabilidade entre organismos vivos de todas as origens, incluindo, inter alia (latin: entre outras coisas), os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; isto inclui diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas". 

Um convicção que tenho, e fica ainda mais forte após esses dias de estudo, repousa na necessidade de entendermos tudo de modo holístico. Cada ato ou decisão que tomamos resultará em impactos em toda a biodiversidade, da qual nós também fazemos parte. Por isso, cada ação, sejam pessoais, realizadas por empresas ou governos, devem ser avaliadas de forma a considerar os muitos impactos sociais, econômicos e ambientais.
Um vídeo que  foi conteúdo de estudos nesses dias, do qual gostei muito, e que reforça esse modo de pensar e tomar decisões, chama-se "How wolves chage rivers" (como os lobos mudam o rio) e que, por si só, explica o que entendo como importante na visão do todo. E seus resultados, creio, podem ser replicados em muitas áreas.
O vídeo pode ser visto neste link


Referências

How Wolves Change Rivers. Yellowstone: Sustainable Human, 2014. P&B. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=ysa5OBhXz-Q>. Acesso em: 27 out. 2018.

ONU. Convention on Biological Diversity. 1992. Disponível em: <https://www.cbd.int/convention/articles/default.shtml?a=cbd-02>. Acesso em: 17 out. 2018. 

WILSON, Edward O. Biodiverity, 1988.