domingo, 11 de novembro de 2018

Reflexão 2 - Valores da Biodiversidade / Parte 2 sobre o valor econômico do Rio Paraíba do Sul

Reflexão 2 - Valores da Biodiversidade / Parte 2 sobre o valor econômico do Rio Paraíba do Sul

O trabalho aqui proposto está relacionado a uma atividade da Unidade Curricular sobre Biodiversidade, Geodiversidade e Conservação, promovida pelo Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação - da Universidade Aberta de Portugal. Neste trabalho, realiza-se uma reflexão sobre valores da biodiversidade, através de um artigo que dá continuidade a post anterior sobre valores da biodiversidade dependente do Rio Paraíba do Sul (disponível aqui).


Sukhdev (2010) e Sukhdev, Wittmer e Miller, pelo The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEP) (2014), destacam a importância económica/econômcia dos serviços oferecidos pela natureza. Estes serviços são essenciais para nossa sobrevivência. A relação entre a métrica económica/econômica e a biodiversidade ajuda a conhecer e a tomar decisões quanto a proteção dos ecossistemas. E, é fato, que o mundo converge, em muitas situações, para uma linguagem económica/econômica. Um fato que torna possível realizar diversas comparações e análises (Sukhdev, Wittmer e Miller, TEEP (2014). Além da proposição feita pelo TEEP, há outras idéias voltadas a integrar contabilidade e valores ambientais, como a environmental accounting, proposta por Odum (1995) e a integração holística do Relato Integrado, proposta pelo International Integrated Reporting Council (IIRC) (2012), que reconhece os capitais naturais os lado de outros cinco: financeiros, manufaturados, humanos e sociais e de relacionamentos. Tem-se a notória preocupação em buscar valorar e conhecer a biodiversidade, também em padrões contábeis e econométricos. Apesar desta preocupação, a avaliação económica da biodiversidade é, segundo Sukhdev, Wittmer e Miller TEEP (2014), muito difícil, se não contenciosa.

Quanto ao Rio Paraíba do Sul, na postagem anterior, já levantou-se aspectos/apetos quanto a sua importância para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, no qual sua bacia hidrográfica atende a 14 milhões de habitantes fixos além de outros milhões de turistas que visitam a região. E abastece ainda a produção agropecuária e indústrias. E Qual o valor do rio e de sua biodiversidade? Como apontado pelo TEEP (2014), há muita dificuldade em se estabelecer métricas. O Rio e sua biodiversidade oferecem muitos serviços, muitos dos quais tidos como invisíveis à sociedade. É certo que a proposta de valor precisa ser holística e integrar muitos factores/fatores, para os quais a proposição do Relato Intregrado (IIRC, 2012) poderá trazer algo a esta discussão. Para pautar uma única avaliação, de um único serviço do rio e sua biodiversidade para a humanidade em seu entorno, ao propormos uma análise única e simples, norteada apenas pelo consumo humano e residencial de água potável pelos 14 milhões de habitantes da região, teremos a seguinte proposição:

14 milhões de habitantes.
Consumo diário per capita de água estimada de 250 litros de água por pessoa.
Valor médio da água potável: R$ 4,00 o metro cúbico de água. Portanto chega a um valor de R$ 1,00 por dia de consumo médio por habitante.

Ao efetuarmos um cálculo, por tais valores teremos: (14.000.000 x 1,00) x 365 dias = 5.110.000.000 (cinco bilhões, cento e dez milhões de reais).

O valor de cerca de 5 bilhões, em reais, convertido para Dólar e Euro, será de:
1.369.658.850 em dólares (cotação de 10 de novembro, 2018)
1.210.198.124 em euros (cotação de 10 de novembro, 2018)

Conclusão

A biodiversidade possuí um notório valor ambiental, intrínseco em sí, mas também gera valores sociais e económicos/econômicos. Mensurar estes valores ajuda-nos a conhecer melhor a biodiversidade e entender sua imensa importância. Notório também que, o modo para se mensurar tal importância económica/econômica é difícil e pode gerar polêmicas, mas faz se necessário ser conhecido e pesquisado, como forma justa de nos levar a conhecer e entender a própria biodiversidade, da qual somos parte e muito dependemos.

Referências

INTERNATIONAL INTEGRATED REPORTING COUNCIL IIRC. Integrated Reporting: The IIRC. Disponível em: <http://www.theiirc.org/the-iirc/>. Acesso em: 29 jun. 2018.

Oddum, H. Environmental Accounting:  Emergy and environmental decision making, 1995.

Sukhdev, P., Wittmer, H., and Miller, D., ‘The Economics of Ecosystems and Biodiversity
(TEEB): Challenges and Responses’, in D. Helm and C. Hepburn (eds), Nature in the Balance: The Economics of
Biodiversity. Oxford: Oxford University Press (2014).


TEEP. The Economics of Ecosystems and Biodiversity. <www.teepweb.org>. Acesso em 04 de novembro de 2018.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Boa noite, Wagner!
    Seu artigo tem ótimas leituras, e este último mostra a biodiversidade do Rio Paraíba do sul é uma fonte de muito valor qualitativo e quantitativo para homem, e, percebe-se que a ausência de mensuração está relacionado na degradação/exploração indiscriminada de recursos naturais. Outrossim, destaca TEEB(2008,p.12) a maioria dos benefícios da biodiversidade e dos ecossistemas representa bens públicos que não são valorados. Nosso desafio é criar políticas públicas contundentes de desenvolvimento econômico sustentável em harmonia com a natureza. O Meio ambiente concede-nos o mundo de recursos naturais gratuitamente...e só depende a nós para que retribuímos, cuidando...
    Parabéns!
    Cecileny.

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  3. Olá Cecileny, muito obrigado por suas palavras. A dimensão de valor dos serviços da biodiverdade é gigantesca. Esse simples exercício que fiz, já me fez pensar na dimensão os valores que realmente ficam invisíveis. Daí passei a pensar em outras dimensões como o bem estar e saúde (que advém para aqueles que se alimentam bem, consomem boa água in natura, e ainda podem realizar sua higiene), ou o potencial produtor ao beneficiar indústrias e o agronegócio. Porém também passei a ver o valor dos "passivos ambientais" de forma mais clara. Você, como contadora, entende essa visão. O quão negativo ficamos com o despejo de esgoto não tratado, a exploração inadequada de areia, pesca e caça, construções indevidas, etc. Tomara, nunca se vá a discutir um "passivo a descoberto ambiental".

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